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Manaus • Tempo Real
Em Iranduba, pescadores relatam rotina de trabalho nos rios e destacam importância da atividade para a renda das famílias durante a estiagem.
Mesmo durante o período de seca dos rios no Amazonas, pescadores de municípios da região continuam saindo para garantir o pescado e a renda das famílias.
Em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, a atividade pesqueira permanece presente na rotina de comunidades que dependem diretamente dos rios. A redução do nível das águas muda a dinâmica da pesca, exigindo dos trabalhadores experiência para encontrar os locais onde os peixes estão concentrados.
Para os pescadores, o período de seca também representa uma oportunidade de manter a produção e aproveitar as condições encontradas nos rios. Durante a apuração, os pescadores Adriana Teodosio, Marfisa Freitas e Melque do Remelexo relataram como têm aproveitado o período para continuar trabalhando. Segundo eles, mesmo com as dificuldades provocadas pela estiagem, a pesca segue sendo uma importante fonte de sustento.
“A gente vai acompanhando as condições do rio, para aproveitar os períodos bons e conseguir uma pescaria melhor.”
— Adriana Teodosio, pescadora
“A rotina muda com o nível da água. A gente precisa se adaptar toda vez que o rio baixa.”
— Marfisa Freitas, pescadora
“Nesse período de seca, a gente aproveita para manter a atividade e garantir o pescado.”
— Melque do Remelexo, pescador

Em Iranduba, a pesca possui relevância econômica e histórica para as comunidades, com espécies como pacu, jaraqui, matrinxã, dourada, surubim, piramutaba e mapará entre as capturadas na região. Dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) apontam que a pesca artesanal é uma importante atividade geradora de ocupação e renda no estado.
O cenário, porém, exige atenção dos pescadores, principalmente diante das mudanças no nível dos rios durante a estiagem. O monitoramento do Cemaden aponta que o Amazonas registrou, em 2026, avanço das áreas afetadas por condições de seca, reforçando a necessidade de acompanhamento das condições hidrológicas.
Apesar da seca, os pescadores entrevistados afirmam que seguem encontrando alternativas para manter o trabalho e continuar abastecendo o mercado local. A atividade também movimenta uma cadeia que envolve transporte, comercialização, beneficiamento e venda do pescado. Em Iranduba, parte significativa do pescado desembarcado é comercializada em frigoríficos do próprio município, enquanto outra parcela segue para Manaus.

A continuidade da pesca, entretanto, precisa respeitar as regras ambientais e os períodos de defeso estabelecidos para cada espécie. De acordo com o Ibama, na bacia hidrográfica do rio Amazonas, o defeso geral previsto pela Portaria nº 48/2007 ocorre de 15 de novembro a 15 de março, enquanto espécies específicas possuem regras próprias.
Para os pescadores de Iranduba, o desafio é conciliar as condições impostas pela seca com a necessidade de manter uma atividade que faz parte da economia e da vida das comunidades. Enquanto as águas seguem seu ciclo natural, pescadores e pescadoras continuam entrando nos rios, adaptando técnicas e aproveitando o período de pesca para garantir alimento, trabalho e renda para suas famílias.