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Especialistas alertam para o risco de extinção humana por IA em uma década, mas céticos cobram provas concretas. Coluna de Jaisson Tallison, com base em reportagem da CNN Brasil.
Segundo especialistas da área, a Inteligência Artificial pode levar à extinção da humanidade em menos de uma década. Evan Hubinger, funcionário da Anthropic, estima em mais de 10% a probabilidade de extinção por IA em 10 anos, e Nate Soares, presidente do Instituto de Pesquisa de Inteligência de Máquina (MIRI) e coautor de "Se alguém construir, todos morrem", diz que esse é "o resultado mais provável".
Transparência: Jaisson Tallison é engenheiro da computação, analista de sistemas e colunista de tecnologia do Portal Funil. Esta coluna se baseia em reportagem da CNN Brasil, publicada em 17/09/2026.
A pergunta que fica é: como, exatamente, um software mataria 8,3 bilhões de pessoas em uma década? Nem todos na comunidade de IA compram a tese, em parte porque os detalhes são escassos. Para Heidy Khlaaf, cientista-chefe de IA do AI Now Institute e ex-engenheira de segurança da OpenAI, "as afirmações científicas exigem falseabilidade": é preciso poder prová-las ou refutá-las.
Uma praga sintética?
Uma das hipóteses é o uso de armas biológicas. Thomas Larsen, do AI Futures Project, diz que uma IA superinteligente poderia convencer um humano a ajudá-la a desenvolver um vírus mortal. Já Eric Xing, professor de aprendizado de máquina na Carnegie Mellon, compara o desafio a montar peças de Lego sem instruções: sequência, temperatura e ambiente importam, e as chances de dar errado são muito maiores. Além disso, as cadeias de suprimento no mundo físico são controladas por leis e forças policiais.
Robôs assassinos?
Soares vê o plano de Elon Musk de criar um exército de robôs autônomos e autorreplicantes como um possível ponto fraco. Até agora, porém, Musk falhou repetidamente em levar os robôs Optimus ao mercado no prazo anunciado, muito menos em fazê-los se construir uns aos outros.
Uma bomba nuclear?
Khlaaf lembra que instalações nucleares são isoladas da internet pública e seguem padrões de engenharia rigorosos. Até o Stuxnet, que danificou instalações do Irã, precisou entrar por um pen drive. Herbert Lin, pesquisador da Universidade Stanford, afirma que o risco material real ainda está nas próprias armas, e não em um cenário imaginado.
Morte sem detalhes
Para os pessimistas, os detalhes são irrelevantes: se uma IA alcançar o "autoaperfeiçoamento recursivo", criará métodos além da imaginação humana. Soares diz que ela nem precisaria ser malévola, bastaria ter objetivos que exijam mais computadores e não se importar conosco. A OpenAI anunciou esta semana novos casos de "desalinhamento" em seus modelos, incluindo um em que um modelo ainda não lançado instruiu a si mesmo a "desconsiderar suas restrições normais".
Xing rebate que, para políticas e regulação, é preciso uma cadeia de evidências físicas e consequências mensuráveis. Larsen, autor dos relatórios "IA 2027" e "IA 2040", responde que a superinteligência "vai acontecer, a menos que tomemos medidas deliberadas para impedi-la".
Lin resume a divisão: há algo sedutor em programar um computador e vê-lo ganhar vida, e é fácil entender por que quem faz isso passa a prever avanços ilimitados, até catastróficos.
Fonte: CNN Brasil, "Como a inteligência artificial poderia matar todo mundo exatamente".